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06 out 2022

Entrevista Eng.º Miguel Rodrigues a Jornal de Negócios

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  1. Qual é o balanço que faz das atividades da CJR Renewables em 2021 e 2022, tendo em conta os contextos da pandemia e da guerra da Ucrânia? Quais foram os principais impactos nos negócios?

2021 foi um ano, no mínimo, desafiante para uma empresa que desenvolve no exterior quase 90% do seu volume de negócios. Por um lado, foram transpostos novos recordes na produção mundial de energias renováveis e por outro, assistimos a inúmeros constrangimentos em toda a cadeia de abastecimento, que provocaram recordes nos preços das matérias-primas. 2022 continuou a tendência e, como todos sabemos, o mundo está hoje a braços com uma crise energética sem precedentes, decorrente do conflito da Ucrânia. Em muitos países, os governos locais estão já a minimizar a onda de choque provocada por esta crise e, claro, a propor uma aceleração da transição energética para energias limpas.

Na esfera específica da CJR Renewables não ficamos, naturalmente, imunes à inflação, à falta de mão-de-obra, de matérias-primas ou aos desafios logísticos, que têm consequências diretas nos rendimentos da empresa, ao mesmo tempo que provoca uma enorme instabilidade na variável de pricing.

 

Tendo em conta a presença internacional, quais são as perspetivas da CJR Renewables para 2023, em termos de riscos, oportunidades e de desafios como a inflação, as taxas de juro, etc.?

Temos desenvolvido atividade - sobretudo na Europa e na América Latina - e estamos agora a entrar nos Estados Unidos. Hoje, os cenários são cada vez mais incertos.  À data de hoje, nos países onde atuamos, a inflação ronda os 8% e 13%, ou seja, estamos perante “moedas” com menor poder, preços mais elevados e expectativas de mercado desalinhadas, mesmo apesar das taxas de juro estarem mais elevadas e estarmos perante mais subsídios governamentais. Para uma empresa que tem estratégia de crescimento pela diversificação de mercados, como é o nosso caso, o acompanhamento destes riscos é essencial para a sustentabilidade do modelo de negócio. Posso assegurar que consideramos as várias tendências inflacionistas particularmente alarmantes e estamos a acompanhar de perto a forma como os índices de preços da energia, matérias-primas e custos de construção se estão a desenvolver. Para 2023, a CJR Renewables tem um pipeline de projetos já assegurado; porém, as consequências de tais aumentos acentuados poderão causar desajuste, sobretudo nos valores estimados.

 

  1. A CJR faz a construção de parques eólicos, parques solares, instalação de aerogeradores, power & grid e manutenção de parques solares. Quais são os principais negócios e qual é o peso de cada um no portefólio da CJR Renewables?

A construção de parques eólicos foi a pioneira; logo, é natural que esta ainda seja a área que alcance maior projeção. A CJR Renewables executa a construção de parques de grande dimensão em modelo turn key (chave na mão). Esta é uma das nossas vantagens competitivas - oferecemos um serviço com integração de todas as valências, organizadas por unidades de negócio (UN). O peso de cada UN, na sua importância, é bastante equiparado entre si.  Podemos antes efetuar o paralelismo para a área de atividade solar fotovoltaica, onde a empresa também oferece uma solução completa de EPC e Service, sendo que esta última é a área mais recente na empresa. Esta área também tem vindo a alcançar uma performance estratégica e operacional bastante sustentada, apesar de ainda não alcançarmos o market share que temos na energia eólica. Porém, diria que estamos em muito bom caminho. A título de exemplo, observando apenas Portugal, nesta área, a CJR Renewables está a construir cinco projetos solares, em regime utility-scale e conta já com dois projetos para a área de negócio de Service.

 

  1. Quais são as vantagens e as diferenças de soluções de EPC (Engineering, Procurement and Construction), Balance of Plant (BoP) e Balance of System (BoS)?

São, sobretudo, diferenças do scope de trabalhos contratualizado. Um serviço de EPC envolve mais responsabilidade contratualizada, seja do ponto de vista da engenharia, das compras de equipamentos (ou outros) e da construção, enquanto que uma contratualização exclusiva de BoP (afeta ao parque Eólico) e BoS (afeta ao parque Solar) restringe essa responsabilidade. Como atuamos em todas as fases de implementação de um projeto, facilmente integramos e ajustamos o nosso serviço ao scope desejado do cliente. Diferenciamo-nos da concorrência por adotarmos várias metodologias de gestão estratégica e de processos que promovem a eficiência e eficácia em qualquer projeto, seja em que geografia for. Portanto, oferecemos, sobretudo, garantia de qualidade, o cumprimento de cronograma e experiência. Temos uma equipa altamente qualificada e especializada que não se poupa a esforços, a inovações e otimizações constantes.

 

  1. Como é que construíram estas competências e conhecimentos e como é que estão organizados para responderem a estes projetos?

Do ponto de vista da operação, contámos já com vinte anos de atividade e, se olharmos para o Grupo CJR, então falamos de mais de 50 anos de experiência em construção. O que nos distingue, para além do conhecimento e experiência acumulada, é o acrescentar valor de forma sustentada ao mesmo tempo que integramos, diariamente, métodos e ferramentas organizativas nas nossas equipas, que potenciam processos e procedimentos robustos e repetíveis à escala mundial. Na minha visão, a CJR Renewables tem bastante sucesso na sua performance porque tem os seus fatores-chave de sucesso bem consolidados e, ao mesmo tempo, flexíveis, o que pode parecer um contrassenso, mas aplicado não é. É isto que tem permitido à organização crescer. Já do ponto de vista da internacionalização, a CJR Renewables, quando entra num novo país, tem uma preocupação prévia de estudar as características legais e institucionais do país, procurando sempre apoio de empresas de consultadoria local e de estudos de mercado. Assim, consegue perceber o potencial de integração do seu serviço no mercado e as variáveis que podem condicionar o sucesso da empresa no mesmo.

 

 

  1. Tendo iniciado há duas décadas, estão presentes em quase três dezenas de países. Como é que se deu esta internacionalização de serviços e quais são os principais mercados?

A CJR Renewables, desde cedo, esteve consciente que somente a internacionalização lhe traria a possibilidade de responder à sua ambição. Naturalmente, dispunha de variáveis essenciais para que a internacionalização fosse um sucesso: desde a robustez financeira à dimensão necessária, ao mesmo tempo que detinha inúmeros recursos e experiência da empresa-mãe (a CJR, SA). Neste contexto, a empresa é quase uma born global, dado que atuou exclusivamente em Portugal apenas nos seus primeiros três anos de vida. Em 2005, realizou o seu primeiro projeto além-fronteiras, na República Dominicana. Volvidos poucos anos, já com mais portefólio e experiência internacional, abre as suas primeiras filiais na Polónia e na Roménia. Depois disso, seguiram-se uma série de países, a uma média de 2 países por ano. Mais recentemente, em 2021, a empresa abriu escritórios nos EUA, pelo potencial do mercado, onde vislumbra a possibilidade de atuar também em economia de escala. Portanto, para já, a Europa e a América Latina são as duas geografias-chave. Para futuro, prevemos que o know-how e a experiência acumulados da CJR Renewables tenham espaço para acrescentar valor e dinamizar a experiência junto de novos mercados.

 

  1. Qual ou quais foram os projetos mais complicados ou mais desafiantes ao longo deste tempo?

Em vinte anos, são mais de 500 projetos, o que torna difícil focalizar numa ou noutra circunstância difícil, até porque o que em 2002 era um desafio gigante, hoje não tem importância para ser tema de uma reunião. Os desafios são observados na medida do nosso conhecimento e experiência. Temos, porém, alguns ícones que registamos como os marcos importantes da nossa história e que os celebramos como feitos importantes. Por exemplo, em 2013, a construção do nosso primeiro projeto no Chile e que, simultaneamente, era o maior parque eólico do país (localizado no deserto de Atacama). Em 2015, a construção da maior linha de alta tensão enterrada da Polónia, com cerca de 38 km de extensão, que careceu da cooperação de inúmeras entidades públicas, proprietários, etc. Em 2017 utilizámos, pela primeira vez, helicópteros no nosso sistema construtivo. Chegamos a ter nove helicópteros diários para executar torres de transmissão de energia, numa zona muito montanhosa no deserto do Atacama, no Chile. Em 2020, começámos o maior parque eólico da Colômbia, onde tivemos de interagir com mais de 45 comunidades diferentes para alcançarmos acordos e, hoje, segue com sucesso. São desafios que começam com mais ou menos complexidade; mas no final fica, sobretudo, a sensação de dever cumprido.

 

Grupo CJR

  1. Qual é o impacto e o peso, no Grupo CJR, da CJR Renewables?

A CJR Renewables representa cerca de 75% do volume de faturação do Grupo CJR.

 

  1. Qual a importância das atividades para a construção de estradas e infraestruturas e construção industrial e comercial? Quais são os principais desafios?

A CJR S.A., empresa que gere estas áreas de atividade do Grupo CJR, originou o Grupo CJR; logo, a sua importância é total. É a génese e hoje conta já com mais de 52 anos de atividade. É fantástico observar que a empresa mantém a sua atividade core mas, ao mesmo tempo, soube inovar-se, diversificar as suas áreas de atividade e alargar geografias. Hoje, a CJR S.A. assume-se como um player cada vez mais competitivo em território nacional e tem reforçado o seu posicionamento na construção civil e obras públicas. Os principais desafios não diferem da CJR Renewables, até porque, na sua essência, ambas almejam continuamente uma maior capacidade e uma maior competitividade (e as circunstâncias externas não são controláveis por nenhuma empresa). Porém, podemos registar que, na CJR S.A., 2022 ficará marcado pela melhoria contínua dos seus processos, avultados investimentos, num caminho cada vez mais focado nos clientes e na manutenção da inovação, com o propósito de preservar uma agilidade sustentável.

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